quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Montanhas - Parte III

Estávamos na estrada, voltando pra pousada depois de um almoço tri bom num dos ótimos restaurantes beira-de-estrada. Eu, como acontece em toda viagem, já tava me piscando todo, em uma luta ferrenha contra o sono. Resolvo olhar a paisagem atrás de alguma distração. Sabe, o de sempre: árvores, carros antigos estacionados, restaurantes, postos de gasolina, elefantes. Pera aí, comé que é?!



Eu nunca tinha visto elefante na vida. Mentira. Talvez tenha visto umas duas vezes, e nas únicas duas vezes que fui no zoológico de Sapucaia. Mas não faz diferença, porque parecia a primeira vez. O bicho é sensacional. Gigantesco, com a pele toda cheia de dobras, mais cabelo na cabeça que eu, e, pelo menos esses, eram bem calmos e amigáveis. Pagamos míseros 50 centávos pra dar bamboo pra eles comerem. Dava pra pagar mais e dar uma volta na garupa, mas o tempo tava tão ruim e o percurso era tão pequeno que a gente se mixou. Eram quatro elefantes no total, sendo que um era bem pequeno, deveria ter só o tamanho de um Fusca, pobrezinho.




Se não fosse pelo tamanho do cocô, eu teria um em casa.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Montanhas - Parte II



Achamos um parque cowboy (não é sacanagem!) no meio das montanhas. Mais bizarro impossível. O Graham usou um papo que ele tava pesquisando lugares pra fazer workshops e eles nos deram alguns descontos na entrada. Matei a saudade do jeito brasileiro e entramos no lugar. Uma pequena tenda logo na entrada pra tu colocar roupas típicas dos cowboys me deram às boas-vindas. Não me animei a ir até ali, diferente do amigo aqui:
"É tão impossível quanto um tailandês vestido de cowboy"
Com temática cowboy por tudo, o parque tinha várias atividades pra fazer, como escorregador gigante, o próprio touro mecânico, paint ball, pedalinho, motocross e tudo mais. Mas pode relaxar aí no paraíso, Beto Carreiro. Esse parque não tinha quase nenhuma emoção. Tudo tinha que ser devagar, sem frio na barriga, sem arrepios. O lugar perfeito para você que levou a filha de três, o filho de quatro e a esposa grávida do sétimo mês para dar uma volta no interior da Tailândia. Bem relax.
Depois de dar uma volta e conhecer todas as atividades, a gente resolveu se arriscar no brinquedo mais harcore. Tu tinha que se segurar num guidon de bicicleta e descer por um fio até embaixo. Foi muito legal. E pra subir de volta tinha que ser nessas cadeirinhas suspensas.

Montanhas - Parte I

Não sei nem por onde começar a descrever o final de semana. Foi insano. Sexta é feriado nacional e segunda o Graham resolveu tirar folga pra viajar pras montanhas. Como o Gustavo e eu somos os subordinados dele, pegamos carona no feriadão e não trabalhamos. E também pegamos carona literalmente: ele nos levou junto nessa jornada rumo ao desconhecido. E lá rolou de tudo um pouco. Vou precisar de mais de um post pra contar tudo, senão sobrecarrega o pobre do blogspot.

Saímos quinta-feira à tarde de Bangkok. Tava um calor do cão, o que fez muita gente também querer sair da capital no feriadão. Resultado? Estrada lotada no melhor estilo Estrada do Mar em alta temporada.


Hotel/pousada
Duas horas depois chegamos na primeira cidade: Pak Chong. Ficamos num hotel beira-de-estrada que, diferente da bonita noite que caía, não tinha absolutamente nenhuma estrela. Mas tudo bem, porque tinha tanta coisa legal pra se fazer durante o dia que só usávamos o quarto pra dormir. E a família dona do lugar era muito legal. Deixavam a gente usar a internet de graça.
No sábado, 8h30, o Graham já tava nos chutando da cama pra irmos num parque tomar banho de cachoeira. Chegamos lá e a primeira surpresa: todo mundo nos olhando. Puta merda, minha braguilha tá aberta, pensei. Não tava. Também não tinha nenhum inseto gigantesco no meu cabelo. Na boa, parecíamos celebridades internacionais caminhando na orla de Copacabana. Depois caiu a ficha: eramos os únicos estrangeiros no meio de uns 300 locais. ETs, óbvio. E ainda resolvi tirar a camiseta e mostrar minha barriga branca que poderia tranquilamente servir de mini-projetor de cinema.



Depois de tomar aquele banho maroto, abrimos uma esteira no chão, como todo mundo, e ficamos ali bebendo cerveja. Nesse meio tempo, uma outra celebridade apareceu, pra nossa surpresa: Adam, um americano muito gente boa que dava aulas de inglês na região. Já se juntou ao nosso grupo e combinos um jantar na noite seguinte. É, o dia foi massa.

Os ETs: eu, Gustavo e o Graham.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Valentine's Day


Pra minha inspiração de todos os dias.



Ao invés de ver o Gugu na TV

Sábado o dia começou prometendo. Tínhamos dois compromissos em pauta, um mais legal que o outro. O primeiro era acompanhar o time de rugby do James no campeonato local. O segundo era conhecer o Bob King, um pianista maluco que toca um pouco de jazz, um pouco de blues, um pouco de tudo.


Rugby
Futebol americano sem proteção. Só isso já faz qualquer homem nesse mundo querer assistir a uma partida de rugby. Graças a cultura futebolística brasileira, nunca temos oportuniudade de acompanhar esse esporte sangrento inventado pelos ingleses. Mas a verdade é que eu não gostei de rugby pelo simples fato de não ser fisicamente apto para jogar. Mas aí eu conheci o James, um inglês típico, daqueles que toma cerveja no café da manhã e cospe na calçada entre uma palavra e outra. O James joga num time local de Bangkok, junto com vários outros estrangeiros. E nesse sábado ia rolar um campeonato com times de vários países. Além da Tailândia, estavam representados África do Sul, Nova Zelândia, Japão, Inglaterra e Austrália. Todo mundo se tratando super bem, com cordialidade, compaixão e companheirismo. Logo nos primeiros 5 segundos do primeiro jogo, duas pessoas precisaram de atendimento médico, um com o ombro deslocado e o outro com o joelho torcido.




Pra mim, o campeonato foi demais. Pro James, uma merda. O time dele perdeu os três jogos do dia e acabou fora das finais, que iam acontecer no domingo. Mas tudo bem, porque um sábado inteiro com neguinho se quebrando já foi o suficiente pra mim. E certamente no domingo esse tiozão não ia estar com essa mesma roupa fashion:


Bob King

O Mister King é um figuraça. Texano de nascimento, mora em Bangkok há 11 anos e vive de aulas de piano e de shows em bares e restaurantes pelas cidade. Só que ele é daqueles músicos rebeldes, que não se coloca em nenhuma categoria musical. O jazz é o mais visível, mas o talento do cara, segundo ele mesmo, é tocar com o coração (profundo, né?). Ele não diz que toca piano, mas que conta histórias. E o cara tem outro dom pra lá de estranho: saber tudo da personalidade de uma pessoa a partir da data de nascimento dela. Quase um cartomante. Na minha vez, ele disse que eu era como uma mãe, querendo sempre cuidar das pessoas e ser sempre o bonzinho da história. Já na vez do Gustavo, ele falou bastante coisa sobre ambição, dinheiro, sucesso e organização. Pô, mãe é sacanagem.

Jogo do Manchester Untd no fundo. E o do Grêmio que é bom, neca.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Comprar, comprar, comprar.

Antes de vir pra cá, eu tava preocupado com custo de vida da cidade. Como qualquer outra capital gigante, imaginei que tudo fosse mais caro. Mas Bangkok me surpreendeu. Já tinha dito antes: aqui, tudo é mais barato. Esses dias o Gustavo e eu compramos dois shampoos, um jornal, um creme de barbear, dois sanduíches e um chiclete por pouco mais de 10 reais. E a gente nunca compra produto vagabundo. Ok, quase nunca. Como adoro descobrir músicas novas, já comecei minha coleção de CDs locais.




Já virou um hábito entrar numa lojinha e ir direto dar uma olhada na seção dos CDs. Só que, óbvio, não sei o que é bom, o que é brega e o que é DVD ou CD. Na base do uni duni tê, acabo levando de qualquer jeito. O que às vezes pode não ser tão bom. Conversando com um cara aqui da agência, o Nice, descobri que esse CD mais da frente, rosa, com MP3 escrito, é de música country tailandesa. E ele me falou rindo, então é como se um estrangeiro fosse pro Brasil e comprasse o lançamento do Rio Negro & Solimões. E o pior: se achando cool.

Nessa pilha consumista, o James e a Hilary nos levaram num mercado muito legal, onde se encontra tudo o que se possa imaginar por preços ridiculamente pequenos. E quando eu digo tudo, é tudo mesmo: vai de camisetas, bermudas, estátuas, CDs piratas e tomadas até carteira de motorista internacional, carteira de jornalista e cortes de cabelo. Não é por menos que tailandeses odeiam vir aqui. É um lugar feito pra turista. O Gustavo comprou, de cara, 5 camisetas por 40 reais. Eu fui mais tímido nesse primeiro contato com o céu, e comprei só uma camiseta por 10 reais. É que eu não sei negociar, o que é fundamental pra se fazer uma boa compra. Nos aconselharam a sempre oferecer a metade do que o produto vale, já sabendo que o valor final vai ser só um pouco acima disso. Esse é o jogo.






Nham.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Bangsan



Sexta-feira, um calor do cão, semana bem estressante. O que qualquer porto-alegrense faria numa situação dessas? Pegaria as crianças e iria pra Capão. A gente fez o equivalente: o Graham nos pegou e fomos pra Bangsan, uma praia simpática a 1h30 de Bangkok. Dois ingleses que também trabalham na agência foram com a gente, o James e a Hilary.

Acordamos sábado de manhã, pelas 10h, e fomos pra rodoviária de Bangkok. Achei ela realmente muito pequena pro tamanho da cidade. O ônibus que nos levou até a praia era bem roots. Os outros mais bonitos e modernos não tinham mais horários ou tavam lotados.

Mas a viagem foi boa, o único problema mesmo era o espaço entre uma dupla de cadeiras e outra. Tinha um tailandês sentado na minha frente, e os bancos eram tão grudados que eu fiquei cheirando o couro cabeludo do cidadão por 1h30. Nada legal.

A Pin (não sei se escrevi certo), namorada do Graham, conseguiu pra gente um quarto bem tri num lugar que era um pouco hotel e um pouco prédio residencial. Pagamos 1000 bahts por um final de semana, o que não dá nem 50 reais. Barbada.







Vista do quarto.

O plano pro jantar era fazer um churrasco no calçadão. Então fomos em busca da comida no famoso mercado de peixes da cidade.


Mercado



Pra quem gosta de frutos do mar, esse lugar é simplesmente o paraíso. Pra quem é alérgico a frutos do mar que nem eu, é como caminhar num grande gramado cheio de roseta. Mas aquilo não deixava de ser surpreendente. Bangsan tem uma grande população de pescadores, e tudo o que se via ali no mercado tinha sido pescado há não mais do que 5 minutos atrás. Mais ou menos assim: tu tinha que escolher o carangueijo e cuidar pra não levar uma mordida.




Eu, me perguntando onde eles esconderam o cheeseburger.



Enchemos um isopor inteiro de comida, outro de cerveja, e deixamos tudo no prédio, esperando pra mais tarde. E aí fomos finalmente curtir a praia.


Praia

Primeira constatação que mais tarde foi confirmada: tailandeses odeiam sol. E não é odiar de se encher de Sundown 50. É odiar de ir de roupa pra praia, tomar banho de mar de roupa, e se esconder o dia inteiro entre milhares de guarda-sóis espalhados pelas areias. Aliás, areia era o que menos se via.





O mar e a fortaleza de guarda-sóis.

Mar sem onda, sol, cerveja. Deu pra dar aquele estica.





Churrasquinho




Enquanto a gente comprava tudo no mercado, eu não parava de pensar "o que eu vou comer se só tem frutos do mar aqui?". Pois não é que a solução veio de alguém muito familiar? Carrefour. Fomos lá e compramos alguns quilos de porco. Não tinha quase nenhuma carne de vaca porque ela é um animal sagrado por aqui, assim como na Índia.

Bom, nem preciso dizer que foi o churrasco mais surpreendente que eu já fui. Era assim, no meio da calçada. E olhando em volta dava pra ver que era prática comum de fim de tarde, quase obrigatória. Aquilo tava tomado de pequenos grupos com suas pequenas churrasqueiras. Compramos duas grelhas pequenas no próprio mercado de peixe e mandamos ver.




A empolgação no mercado foi tanta que sobrou dinheiro até pra comprar uns fogos de artifício chineses. Como tudo aqui é estranho e eu comecei a praticar a filosofia do "tá, vou experimentar", taquei fogo também.



Papo vai, papo vem e os ingleses, sempre eles, sugeriram a melhor brincadeira de bebida que eu já vi. E é bem simples: se faz uma roda e o objetivo é contar até 21. Alguém começa e diz "Pela pessoa da minha direta, 1", aí a pessoa da direita diz "2" e assim vai. No meio da contagem tem alguns truques: se alguém contar dois números em sequência, inverte a ordem de contagem. Se forem três números em sequência, pula a próxima pessoa. Tudo para o grand finale: quem cair no número 21 tem que beber. Na nossa brincadeira, a bebida não tinha nada de divertida.

Atenção: pessoas sensíveis e com o estômago fraco estão proibidas de olhar a foto.


Tomei dois goles dessa porcaria. Talvez eu morra amanhã, não sei.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Enquanto isso, no primeiro brain...

É batata: lá pelas cinco da tarde parece que a galera esquece onde tá. É divertido. Alguém pega o violão e começa a tocar as coisas mais bizarras que se possa imaginar.


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Agora é pra valer


Agora a gente existe: temos pasta no servidor da agência.


Não é uma lista de interjeições de um mangá, muito menos um aquecimento vocal de um cantor lírico e nem um demonstrativo de quantas palavras sou capaz de teclar com o cotovelo. Agora o Gustavo e eu somos oficialmente employees da TyDis, e essas são as pastas que a galera tem disponível no servidor. O famoso Publi/Temp. Até e-mail a gente ganhou.

E só pra sacanear, escolhi o guilherme@tydis.net. Quando tentam falar meu nome, os tailandeses fazem caretas e quase caem no chão de tanta cãibra que deve dar na língua.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

TyDis

Agora que eu tô mais estabelecido, perdi a vergonha de sair por aí com uma câmera na mão. Conheçam mais um pouquinho da TyDis. Lembrando que ela é dividida em dois prédios.



Prédio 1: Criação.








Aqui é onde eu e o Gustavo vamos ficar a maior parte do tempo.

Prédio 2: diretoria, atendimento e quarto de hóspedes.

Prédio dos fundos, onde funciona o atendimento e a diretoria. E também onde eu tô dormindo.




Todo dia tem almoço pra galera. E é a comida mais apimentada que eu já comi.
O Tarn, dono da TyDis, é o cara de amarelo.